Em Brasília, a seca parece obedecer ao calendário da burocracia. Enquanto o governo prepara uma dragagem emergencial no Tapajós, operadores da hidrovia avisam que o plano já nasce atrasado: se as dragas não forem contratadas até o início de agosto, chegarão quando a estiagem já tiver transformado a intervenção em remédio para um paciente que saiu da UTI. A promessa é retirar um milhão de metros cúbicos de sedimentos. O mercado diz que isso mal dá para começar a conversa. RIO TRAVADO A conta da demora não fica só no agronegócio. Se o Tapajós perde navegabilidade, o corredor de exportação emperra, combustíveis e alimentos encarecem e a região Norte revive o fantasma do desabastecimento visto na última grande seca. No meio do caminho, a concessão das hidrovias segue à deriva desde que o governo recuou após protestos em Santarém. Enquanto isso, o rio espera, os estudos se acumulam e a logística brasileira continua torcendo para que a natureza seja mais paciente do que a administração pública.
É justo registrar o empenho da Secretaria de Estado de Cultura na mobilização que culminou com o reconhecimento do Theatro da Paz como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27). Na foto, o secretário Bruno Chagas, que liderou, ao lado da equipe da pasta, um verdadeiro tour de force para transformar a candidatura em conquista. O Da Paz, como o chamamos intimamente, sempre ocupou esse lugar entre os paraenses. Reverenciado por grandes nomes das artes e da cultura, é reconhecido como o mais belo teatro do Brasil. A Unesco apenas oficializou um prestígio que o tempo já havia consagrado.
Apesar da movimentação de aliados e da intensa disputa nos bastidores, o nome do vice que vai compor a chapa da governadora Hana Ghassan (MDB) segue indefinido. A expectativa é que o anúncio seja feito apenas na convenção do partido, marcada para 1º de agosto. Enquanto isso, algumas siglas tentam emplacar seus principais nomes e, nos bastidores, a avaliação é de que parte dessa articulação tem passado pela imprensa para tentar “forçar a barra”. Entre os cotados estão Samuel Câmara, Josué Paiva (Avante), Andréia Siqueira (PSB) e Dirceu ten Caten (PT).
Projeto em análise na Câmara cria compensação financeira para quem explora economicamente recursos hídricos da União. De hidrelétricas a empresas de saneamento e mineração. A receita será repartida entre União, estados, DF e municípios. Para o Pará, dono de gigantes como o Tocantins e o Xingu e vitrine de grandes empreendimentos, a proposta soa como uma promessa de fazer a riqueza correr também para os cofres públicos. Resta saber se esse novo afluente de recursos chegará às margens de quem mais precisa. CERCO TOTAL A destruição de um mega garimpo ilegal de ouro e cobre, em Parauapebas e Canaã dos Carajás, é mais um capítulo da ofensiva federal contra o crime ambiental no Pará. Desde 2025, operações da PF e do Ibama já inutilizaram ao menos 61 escavadeiras hidráulicas, 3 aviões, 3 caminhões-prancha, centenas de motores e dezenas de acampamentos clandestinos no estado. O recado é claro: a Amazônia deixou de ser terra sem lei para o garimpo ilegal.
O sindicalismo, dado como apagado nos últimos anos, volta ao centro do jogo. A nova regra para o trabalho no comércio em feriados reforça a negociação coletiva entre patrões e empregados e afeta diretamente o Pará, onde o setor reúne mais de 230 mil trabalhadores formais e milhares de empresas. Em vez de autorização automática, a abertura das lojas dependerá de acordo entre as partes. Na prática, sindicatos recuperam poder de negociação em datas de maior faturamento. FÉRIAS ESTENDIDAS Mal agosto desponta e Belém já reencontra o ritmo depois do esvaziamento das férias e do veraneio. Mas a rotina não deve criar muitas expectativas. Até dezembro, o calendário ainda reserva uma coleção respeitável de pausas: Adesão do Pará, Dia da Independência, Nossa Senhora Aparecida, Recírio, Finados, Proclamação da República, Consciência Negra, Imaculada Conceição e Natal. Para quem gosta de um respiro, o segundo semestre promete ser generoso em feriados. SÓ NA BALSA O DNIT contratou, em caráter emergencial, balsas para garantir a travessia gratuita na BR-230, na divisa entre Pará e Tocantins, enquanto a ponte segue interditada. Pela rota passam diariamente algo entre 600 e 1.000 veículos, muitos saindo do sudeste paraense rumo ao Tocantins. Agora, quando a conta da balsa pesa no bolso, o prejuízo respinga no frete, nos alimentos, no comércio e até nas viagens de quem depende da ligação. O improviso virou política pública: em vez da ponte, uma temporada de filas sobre a água.
A força da Região Metropolitana de Belém será um dos fatores decisivos em 2026. Com mais de 2 milhões de habitantes e uma economia que concentra parcela relevante do PIB paraense, o território metropolitano representa um dos maiores ativos eleitorais do Estado. Hana aposta na força política e no legado administrativo do grupo governista. Dr. Daniel busca transformar a influência de Ananindeua em capital eleitoral para ampliar seu espaço na disputa pelo governo. Com população estimada acima de 500 mil habitantes, Ananindeua deixou de ser apenas coadjuvante no cenário estadual e ganha peso importante. O período regimental estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a realização das convenções partidárias começou nesta segunda-feira (20) e segue até o dia 5 de agosto.
No Pará, alguns postos parecem ter descoberto uma nova octanagem: a do preço que muda conforme o jeito de pagar. O consumidor chega para abastecer e descobre que o mesmo litro pode ter uma “promoção” no Pix ou no dinheiro, como se a forma de tirar a nota fiscal fosse capaz de alterar o combustível dentro da bomba. Um projeto que tramita na Câmara quer acabar com essa esperteza comercial. Resta saber se a conta vai baixar ou se a criatividade dos postos vai encontrar outro caminho.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou a isenção de Imposto de Renda para profissionais da área. A compensação viria do Fundo Nacional de Segurança Pública. Em Brasília, onde as bets já passaram a abastecer fundos ligados à segurança pública, a lógica parece ser simples: se a arrecadação não vem do contribuinte, pode muito bem sair da fé nacional nas apostas. Afinal, até a política fiscal entrou no jogo.
A dragagem do Tapajós ganhou uma nova turbulência. O GT Infra, uma rede de mais de 50 organizações da sociedade civil, quer derrubar a autorização que dispensou o licenciamento ambiental da obra, concedida pela Semas-PA ao DNIT. A entidade acusa o governo de tentar acelerar uma intervenção bilionária para atender à logística de exportação de grãos, ignorando estudos de impacto e a consulta a comunidades tradicionais e povos indígenas. O caso bate de frente com alertas do TCU e expõe o dilema entre pressa econômica e proteção ambiental.
Salinas mudou de status. O destino que por décadas foi o nosso pedaço de mar mais gostoso também virou vitrine de luxo. Em julho, mansões, helicópteros e veículos milionários disputam espaço com guarda-sóis e cadeiras de praia. A ostentação acompanha o crescimento do turismo de alto padrão e ajuda a movimentar hotéis, restaurantes e o comércio local. Para uns, é sinal de desenvolvimento; para outros, a confirmação de que o Sal deixou de ser apenas uma praia para se tornar refúgio dos endinheirados do Norte.
Depois que a Seleção Brasileira transformou a última Copa do Mundo em um curso intensivo de frustração, o Congresso resolveu olhar para o Mundial Feminino de futebol com outro espírito. Um projeto acaba com a obrigação de férias escolares durante a competição de 2027, deixando estados e municípios livres para decidir se suspendem ou não as aulas. Excluída como sede, Belém terá de se contentar em ver os jogos pela TV e, se a bola voltar a decepcionar, nós só poderemos culpar o recesso de talentos, não de aulas. MEMÓRIA VIVA Quatro anos após os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips, o Ministério Público Federal lançou uma página especial para reunir informações sobre sua atuação no caso. A iniciativa preserva a memória das vítimas e reforça que o crime segue como símbolo dos riscos enfrentados por quem combate ilícitos na Amazônia. O gesto também serve de recado: enquanto persistirem ameaças à floresta e aos seus defensores, o caso continuará cobrando respostas do Estado.
Conhecido por carregar mala de políticos e puxar saco de empresários, um estelionatário contumaz, bom de lábia, estava foragido pra São Paulo, operando para um deputado federal que comanda altos contratos em um órgão federal aqui no estado do Pará e já esta na mira da polícia federal por cartel de asfalto. Há pouco tempo resolveu dar as caras e se tornou sócio oculto de uma escola e como de costume não honrou com seus compromissos, o portal cidade091 acompanha de perto mais essa trama de quem esbanja riqueza sem nunca ter tido um emprego, nem um cnpj produtivo, agora a duvida é saber quem ele vai procurar pra esquentar mais esse dinheiro sujo tentando ser lavado.