DRAGAGEM TARDIA
Em Brasília, a seca parece obedecer ao calendário da burocracia. Enquanto o governo prepara uma dragagem emergencial no Tapajós, operadores da hidrovia avisam que o plano já nasce atrasado: se as dragas não forem contratadas até o início de agosto, chegarão quando a estiagem já tiver transformado a intervenção em remédio para um paciente que saiu da UTI. A promessa é retirar um milhão de metros cúbicos de sedimentos. O mercado diz que isso mal dá para começar a conversa.
RIO TRAVADO
A conta da demora não fica só no agronegócio. Se o Tapajós perde navegabilidade, o corredor de exportação emperra, combustíveis e alimentos encarecem e a região Norte revive o fantasma do desabastecimento visto na última grande seca. No meio do caminho, a concessão das hidrovias segue à deriva desde que o governo recuou após protestos em Santarém. Enquanto isso, o rio espera, os estudos se acumulam e a logística brasileira continua torcendo para que a natureza seja mais paciente do que a administração pública.
