O governo federal estuda liberar o FGTS para quitação de dívidas, medida que pode atingir milhões de brasileiros. O endividamento segue alto: mais de 70% das famílias têm algum tipo de dívida no país. No Pará, o cenário é ainda mais preocupante, segundo levantamento da Agência Senado. O endividamento das famílias exerce forte pressão sobre a renda em Belém. A liberação pode ser uma oportunidade de aliviar o orçamento e reorganizar a vida, inclusive de desempregados. Mas cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Reportagem da Revista Sumaúma denuncia o abandono da Estação Científica Ferreira Penna, do Museu Paraense Emílio Goeldi, referência em estudos na Amazônia. Pesquisas essenciais sobre os impactos da crise climática só continuam porque cientistas bancam do próprio bolso viagens e alimentação. Com orçamento de R$ 17 milhões, bem abaixo do necessário para manter a estrutura, o museu pode parar o projeto ainda em 2026, colocando em risco décadas de pesquisa e monitoramento ambiental.
Em Belém, o mercado livreiro mistura perdas e renovação. O fechamento de grandes redes abriu espaço para livrarias independentes e modelos híbridos, que combinam venda de livros, cafés e eventos culturais, com foco em nichos como a literatura amazônica e autores locais. Um termômetro é a Feira Pan-Amazônica do Livro, que reúne cerca de 300 mil visitantes por edição, segundo o governo do Pará. Celebrado ontem, o Dia Mundial do Livro reforça esse fôlego cultural, sustentado por iniciativas locais e engajamento do público. RETRATO NACIONAL No Brasil, o setor editorial cresce no curto prazo, mas encolhe no longo. Em 2024, faturou R$ 4,2 bilhões, com alta nominal de 3,7%, mas queda real de 1,1%, segundo a Câmara Brasileira do Livro. A produção somou 44 mil títulos e 366 milhões de exemplares. Ainda assim, o país perdeu 6,7 milhões de leitores, e hoje 53% da população não lê livros. Desde 2006, o mercado editorial encolheu 44% em termos reais, refletindo mudanças de hábito, renda e acesso.
Referência no mercado de eletrodomésticos de alto padrão, a Tech House está de olho no que dita o futuro do design mundial. A empresa marca presença na edição 2026 do Salone del Mobile Milano, que acontece de 21 a 26 de abril, em Milão. Quem acompanha de perto essa imersão é o CEO Flávio Yamada, com atenção especial à EuroCucina e à FTK (Technology For the Kitchen), principais vitrines de inovação no universo das cozinhas. No radar: sustentabilidade, integração tecnológica e novas experiências no uso dos espaços. A ideia é clara: filtrar o que há de mais relevante lá fora e trazer soluções que devem pautar projetos de alto padrão no Brasil.
Na Amazônia, desmatar a beira do rio não seca só a paisagem: esvazia o cardápio. Estudo da Universidade Federal do Pará em riachos mostra que menos mata ciliar significa menos peixes: áreas protegidas têm até 75 espécies, enquanto trechos degradados caem para 58, revela o estudo, que vale para todo o país. Entre os peixes mais sensíveis estão o tamboatá e o muçum. Sem sombra na margem, até peixe “resistente” pede água e não dispensa a biodiversidade.
O Acampamento Terra Livre (ATL) resolveu atravessar a praça dos protestos e bater à porta do poder. Ao menos 27 candidaturas indígenas à Câmara Federal serão lançadas em 2026. Lideranças como Sônia Guajajara defendem ocupar o plenário onde, hoje, a presença é quase simbólica. São 4 parlamentares indígenas na Câmara: Célia Xakriabá, Sônia Guajajara, Silvia Waiãpi e Juliana Cardoso. No Senado, nenhum. Resta saber se Brasília vai ouvir ou só fazer de conta.
Na Alemanha, o Die Zeit lançou uma ferramenta que revela, em segundos, se seus antepassados tiveram ligação com o nazismo. Foi o caso de Christian Rainer, que achou o nome do avô. Parece útil para encarar fantasmas históricos. E se houvesse algo parecido hoje, capaz de mapear racistas, misóginos e intolerantes em tempo real por aqui? O constrangimento seria coletivo e também pedagógico. No Pará, 64 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, um retrato nada remoto da barbárie. PARÁ SOLO Morar sozinho é uma situação que avança no Pará. Já soma entre 200 mil e 250 mil pessoas, segundo estimativas com base no IBGE. O movimento, puxado por jovens que migram para cidades como Belém e pelo envelhecimento da população, ainda fica abaixo da média nacional, mas cresce de forma acelerada. Mais do que tendência, o fenômeno começa a pressionar o mercado imobiliário e expõe uma mudança silenciosa no perfil das famílias paraenses.
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que suspende norma do Ministério da Agricultura sobre a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim. O texto, que segue para o Senado Federal, revoga regra que dispensava o uso de brometo de metila no tratamento do produto. O autor, deputado Zé Neto (PT-BA), argumenta que a medida anterior não considerou o setor produtivo e poderia trazer risco sanitário. No Pará, maior produtor de cacau do país, com mais de 50% da produção nacional, o tema repercutiu. O Brasil ocupa a sétima posição entre os produtores mundiais, com cerca de 298 mil toneladas. O deputado Henderson Pinto (MDB) afirmou que a decisão impacta produtores locais e o mercado regional. PERCENTUAL MÍNIMO Também foi aprovado no Senado um projeto que fixa percentuais mínimos de cacau na fabricação de chocolates. A proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto define mínimo de 32% de cacau para chocolate em pó, 35% para chocolate, 25% para chocolate ao leite e 20% de manteiga de cacau para chocolate branco. O projeto (PL 1769/2019) é de autoria do senador paraense Zequinha Marinho (Podemos) e também estabelece regras de rotulagem.
Indígenas do Xingu acusam a Belo Sun de pagar moradores para assinar atas e simular apoio à maior mina de ouro a céu aberto do país, no Pará. Lideranças denunciam ausência de consulta prévia exigida pela OIT e cobram anulação da licença reativada pela Justiça. Empresa nega irregularidades. Comunidades temem impactos amplos e denunciam exclusão de povos afetados. MENTIRA CARA A Justiça tem mostrado pouca tolerância a versões “criativas”. Em um caso, a mulher que garantiu ao marido a paternidade dos filhos foi condenada a indenizá-lo após a verdade vir à tona. O afeto não vingou, mas a conta, sim.Em outro, um trabalhador apresentou atestado médico e foi flagrado na praia. Resultado: justa causa nele! Mentir pode até aliviar no curto prazo, mas costuma sair caro no final das contas. TERMÔMETRO NO STF Nesta semana, o Supremo entra em cena para medir a febre de dois temas tão polêmicos como conhecidos na política nacional: o nepotismo e o piso do magistério. De um lado, a criatividade para empregar parentes; de outro, a matemática apertada para pagar professores. O roteiro é previsível: discursos elevados, bastidores tensos e decisões que prometem agradar e desagradar na mesma proporção. A toga tenta equilibrar o que a realidade insiste em desequilibrar.
O Brasil vive um surto hoteleiro: 178 novos empreendimentos e R$ 13,6 bilhões em jogo até o fim do ano. No Norte, porém, o Pará aparece discreto, com apenas três projetos no radar, quase um sussurro diante do barulho nacional. Ainda assim, ninguém duvida do potencial. Entre Belém e a Amazônia, há apelo de sobra. Falta combinar com os investidores, que parecem até olhar, mas ainda não decidiram ver.
Com 1,6 milhão de turistas e R$ 1,14 bilhão movimentados, o Pará descobriu que turismo também rende voto. A gestão de Hana Ghassan exalta cultura e gastronomia como motores do crescimento e números não faltam para sustentar o discurso. De quebra, o avanço virou trunfo eleitoral: Celso Sabino, ex-ministro da pasta, tenta carimbar seu nome no bom momento do setor. No fim, o turismo cresce, e a disputa pega carona.
O 7 a 0 sofrido pelo Paysandu diante do Nacional-AM é uma das páginas mais sombrias de sua história. Na Arena da Amazônia, o presidente bicolor, Marcio Tuma, personificou o descaso da diretoria: como único representante da cúpula presente, assistiu de camarote ao massacre que ele mesmo ajudou a planejar. A coletiva de imprensa marcada pelo presidente para hoje não pode ser um mero exercício de retórica ou vitimismo financeiro. O torcedor exige explicações reais sobre quem autorizou que o Paysandu fosse reduzido a um laboratório de testes em rede nacional. O 7 a 0 está na conta de quem planejou o vexame, e Tuma, representando os demais diretores, foi o espectador da ruína.