Entre liminares, decisões provisórias e recursos em série, a novela da mineradora canadense Belo Sun, que quer porque quer se instalar na grande volta do Xingu, não está encerrada. A operação da supermina de ouro foi validada por um desembargador federal no Carnaval, mesmo sem consulta prévia aos povos indígenas da região, mas o Ministério Público Federal já recorreu, citando risco de dano irreversível a uma área que ainda digere os impactos da Hidrelétrica de Belo Monte. A corrida do ouro segue. Mas agora é nos tribunais.
Moradores de diferentes bairros do centro de Belém voltaram a relatar perturbação durante a madrugada por causa de um "rolezinho" de motociclistas. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram um grupo circulando por ruas do Umarizal, Nazaré e São Brás por volta das 2h da manhã de quinta para sexta-feira. Nas imagens, motociclistas aparecem cometendo diversas infrações, como empinar motos, circular sem capacete e ocupar vias em grupo. Os registros também indicam obstrução de trechos de trânsito e barulho intenso causado pelos motores.
O Tribunal Superior Eleitoral acabou de aprovar resoluções para as Eleições de 2026 e descobriu que incluir todo mundo não é ideia de gênio: é obrigação. Uma das novidades mais bacanas é a obrigação de transporte especial para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida, facilitando a chegada às urnas sem dor nas juntas ou na paciência. A regra faz parte de um pacote que moderniza o pleito e promete tornar o voto menos olímpico e mais democrático.
A primeira-dama Janja Lula da Silva e o vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF), Ricardo Gluck Paul, participaram no Rio de Janeiro do lançamento da campanha internacional “Feminicídio Nunca Mais” . A ação, marcada pela iluminação do Cristo Redentor, usa o futebol como plataforma de conscientização rumo à Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027. No Pará, a mobilização também ganhou destaque. No último domingo, durante o primeiro jogo da final do Campeonato Paraense de Futebol, jogadores de Clube do Remo e Paysandu Sport Club entraram em campo com camisas da campanha, reforçando o compromisso do futebol paraense no combate à violência contra a mulher.
A Seção Judiciária do Pará avisa: se alguém promete “liberar seu alvará” mediante pix salvador, desconfie. A Justiça Federal não vende milagres, não faz “live jurídica” para cobrar taxa e não manda boleto por DM. Os golpistas miram causas de até 60 salários mínimos, cerca de 100 mil reais. Depósito em conta de estranho? É cilada! Suspeitou? Boletim de ocorrência! Precisou de ajuda jurídica? Procure os canais oficiais. Justiça não pega atalho.
Está prevista para a próxima segunda-feira, 9, a apresentação do novo relatório do projeto que regula os serviços de transporte remunerado de passageiros e entrega de bens pelas operadoras de plataforma digital. O relatório pretende fixar a corrida mínima de R$ 8,50 para apps de transporte. A ideia mexe no vespeiro da livre concorrência. Plataformas falam em tabelamento disfarçado. Críticos veem risco de vínculo empregatício por osmose. Num país continental como o nosso, R$ 8,50 valem diferentes em cada esquina. Em São Paulo é uma coisa Em Belém, outra. O Congresso tenta pôr preço na corrida. O mercado ameaça devolver a conta ao passageiro. Salve-se quem puder.
A aposentadoria compulsória do desembargador Orloff Neves Rocha pelo Conselho Nacional de Justiça reacendeu o debate sobre assédio sexual no Judiciário. No Pará, o caso reforça uma política que já vinha sendo estruturada: prevenir antes que a crise se instale. No Tribunal de Justiça do Estado do Pará, funcionam comissões permanentes de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e à Discriminação, alinhadas às normas do CNJ. Os canais garantem sigilo, apuração e proteção às vítimas, inclusive terceirizados. A meta é consolidar cultura interna de tolerância zero.
O registro de 88 casos de mpox no país neste ano, sendo 44 em apenas cinco dias, colocou estados em atenção, entre eles o Pará. A Sespa reforçou o monitoramento, atualizou protocolos e orientou municípios a notificar rapidamente suspeitas. Acostumado a enfrentar endemias como dengue e malária, o estado mobilizou hospitais, UBSs e UPAs para identificar sintomas como lesões na pele, febre e ínguas. A prevenção inclui evitar contato com pessoas sintomáticas, não compartilhar objetos pessoais e reforçar a higiene das mãos.
Ainda repercute no bastidores da Justiça Federal do Pará, a decisão de impor multas e indenizações que chegam a R$ 18,4 milhões contra pecuaristas envolvidos em atividade de criação ilegal de gado dentro da Terra Indígena Apyterewa. A decisão atinge produtores rurais acusados de grilagem, comércio clandestino de gado e criação ilegal de bovinos em terras indígenas, além de determinar a devolução de lucros obtidos com tais práticas e reforçar pedidos de indenização por danos coletivos às comunidades indígenas Parakanã. A pesada sanção judicial, maior parte aplicada em primeira instância, tem gerado repercussões em setores do agronegócio paraense, que questionam a proporcionalidade e os impactos na produção local.
Nesta terça-feira, a Procuradoria da República no Pará, braço do Ministério Público Federal (MPF), protocolou novo recurso pedindo a suspensão imediata de obras no Pedral do Lourenço. O argumento é de que a decisão que autorizou a continuação das obras teria graves inconsistências técnicas e não teria respeitado o devido processo de consulta às comunidades tradicionais afetadas. O conflito gira em torno do licenciamento que foi acelerado por decisão judicial, e que, segundo o MPF/PA, deixou de fora consultas essenciais às populações ribeirinhas e indígenas que dependem da área para pesca, cultura e subsistência, um requisito previsto em normas ambientais e de direitos humanos.
A Câmara de Santarém aprovou, a toque de caixa e na surdina, resolução que turbina as diárias dos vereadores. Viagem a Belterra ou Mojuí dos Campos, a poucos quilômetros, agora rende R$ 750,00. Para Brasília, o valor chega a R$ 1.400,00 por dia. A articulação ocorreu durante a presidência interina de Jandeílson Pereira, em movimento conduzido pelo vice da Mesa. Tudo sem passar pelas comissões e sem o crivo jurídico. Transparência virou item facultativo. Contraste Incômodo O prefeito Zé Maria Tapajós recebe R$ 600 de diária para a capital federal; secretário de Estado, R$ 527,00. Já o vereador santareno viaja em classe executiva orçamentária. A nova regra afrouxa exigências de justificativa e reacende lembranças da Operação Perfuga. Uma diária a Brasília equivale a 7,5% do subsídio mensal do parlamentar. Se a viagem durar uma semana, metade do salário pega carona. Nos bastidores, fala-se até em judicialização. Bora ver.
A Vale S.A. anunciou, com pompa e PowerPoint, que vai despejar US$ 3,5 bilhões em projetos de cobre na região de Carajás, no Pará, entre 2026 e 2030. É o “cobre verde”, aquele que promete salvar o planeta enquanto turbina a transição energética global. A cifra é de fazer qualquer árvore bater palmas: US$ 300 milhões aqui, US$ 400 milhões ali, US$ 800 milhões acolá. Uma escalada de zeros digna de manchete internacional. PERFUME BARATO O problema é que, no chão vermelho de Carajás, o verde não é exatamente a cor predominante. Para ambientalistas e lideranças indígenas, o anúncio soa como propaganda de perfume borrifado sobre minério bruto. No rastro da expansão, acumulam-se denúncias de conflitos socioambientais, processos judiciais e a velha pergunta: sustentável para quem? No centro da controvérsia está uma ação civil pública do Ministério Público Federal que acusa a mineradora, junto com entes públicos, de contaminação por metais pesados no organismo de integrantes do povo Xikrin do Cateté.