FÉ LIVRE
Nem toda perseguição pode ser fantasiada de acordo judicial. O TJ do Pará fez o necessário: anulou o acerto que obrigava uma mãe de santo a abandonar sua casa e o terreiro de umbanda. A mensagem é cristalina: preconceito não tem força de sentença. A decisão chega em boa hora. Em 2024, o Disque 100 registrou 2.472 denúncias de intolerância religiosa, alta de 66,8% em relação ao ano anterior, e as religiões de matriz africana seguem como as principais vítimas. A Justiça tratou de lembrar que o lugar da discriminação é fora da lei, não dentro dela.
RECADO DADO
A decisão do TRT em Manaus, mantendo justa causa de um empregado por ofensas machistas, homofóbicas, discriminatórias e ameaças a colegas, reforça um entendimento cada vez mais sólido: não há espaço para preconceito no ambiente profissional. O tempo da "brincadeira" usada como desculpa ficou para trás. Em Belém, o TRT da 8ª Região vem consolidando precedentes que confirmam punições severas para casos de homofobia, transfobia, racismo, misoginia e outras formas de discriminação no trabalho. Quem transforma preconceito em conduta pega justa causa, mesmo.
MADEIRA SUSPEITA
Relatório da ONG britânica Earthsight lança nova sombra sobre a madeira amazônica exportada ao mercado europeu. A investigação afirma que produtos ligados à Samise, empresa com histórico de autuações e condenação no Pará, chegaram à Holanda e foram usados em obras de infraestrutura e paisagismo. O caso também reacende o debate sobre a confiabilidade dos sistemas de certificação florestal e da rastreabilidade da cadeia da madeira, justamente quando a pressão internacional por controles ambientais mais rigorosos aumenta
Atualizado há 14 dias
